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E primeiro, o Juca.
de Stein | Segunda, 12 de Janeiro de 2009
Pois é. Juca Kfouri. Profissional de profundas raízes éticas. Daqueles que sabem, de verdade, onde começa o direito de um e onde termina o de outro.
É jornalista há muito tempo. Do tipo de homem (sim, reduzí-lo a jornalista chega a ser infame) que tem opinião para toda sorte de assunto que você e eu imaginarmos.
Aparentemente, nada que o desabone. E partilho desta sensação.
Ora pois, por que citei o Juca?
Difícil, mesmo.
Assumidamente corintiano, é claro, o maior compromisso do Juca é com a ética de sua profissão. Embora ele mesmo reconheça a dificuldade, tendo o Corinthians como tem.
Mas o fato é que o Juca, já há algum tempo, tem ignorado algumas perseguições ao Corinthians nos últimos anos. Também tem ignorado os excusos negócios palestrinos e do clube da Vila Sônia.
Fora de campo, a MSI. E antes de qualquer coisa, aviso que vou publicar um “post” com tudo o que penso desta rompida parceria. Mas, enfim, mesmo com formação, na juventude, de razoável posicionamento esquerdista, nosso caro Juca esqueceu-se da anti-propaganda ocidental contra tudo o que é soviético. Ou ex.
Não importa mais ao Juca se supostos investidores russos pertencem ou não à máfia russa. Não importou (corrigindo o tempo verbal) ao Juca, pesquisar como poderia, sobre o porque dos ingleses e vários outros europeus aceitarem livremente o dinheiro de tais magnatas russos. Não importou saber se a anti-propaganda tinha a ver com a mídia ocidental ou com a necessidade política de Putin em afastar tais magnatas (opositores políticos) da Rússia. E daí, essa enxurrada de notícias desabonadoras a respeito, não de Bóris, Badri ou sei lá mais quem, mas dos “supostos investidores” da MSI, a parceira do Corinthians.
Note, caro leitor, que a personagem não interessa. Verifique isto ao longo da história. As personagens na história corintiana pouco importavam. Até chegarem ao Corinthians. O sujeito que jogava as unhas cortadas pela janela tinha sua vida vasculhada até que qualquer deslize significasse uma nota de primeira página no jornal local.
O fato da MSI ser parceira do Corinthians e não do Palmeiras ou do São Paulo, fez toda a diferença.
De repente, nossa Polícia Federal (Tuma) e o Ministério Público, de descrédito quase absoluto no tocante à competência, descobriu, destrinchou o maior escândalo do futebol brasileiro. Sim. A imprensa descobriu tudo. É a tragédia corintiana. “Eu bem que avisei”, era a frase mais ouvida, escrita e gritada por jornalistas chiliquentos em busca de alguma notoriedade.
Descobrimos tudo o que os ingleses não descobriram. E em tempo recorde. E, claro, na hipótese deles também saberem do que soubemos? Ah… neste caso… neste caso, somos muito mais éticos, humanos, honestos e puritanos que os ingleses, claro. “Se eles sabem e não fazem nada a respeito, nós, brasileiros, fazemos, sim!”, bradavam os mais revoltados.
Pois é. De país com sérios problemas culturais, com valores morais míopes e com poder público incompetente (para não dizer mau intencionado), viramos a referência.
Como compactuar com isso?
O mais interessante é que a enxurrada de denúncia cessou tão logo a parceria sumiu. E os processos seguiram. E seguem. Por hora, sem qualquer condenação. Pasmemos? Então pasmemos: com muitas denúncias sequer levadas adiante, por serem infundadas. Mas denúncias que tiveram espaço no noticiário. Mais do que o normal, diga-se por passagem. Muito menos espaço do que o escândalo da Parmalat, da ISL ou do flagrante caso dos ingressos da Madonna. Elementar!
Esperava, de Juca, um posicionamento corajoso, que não se rendesse à pressão. Mas ele foi mais um. Mais um na multidão. E isso chateou.
Dentro de campo, a incrível perseguição da arbitragem, onde, desde 2005, somos absolutamente prejudicados.
Em 2005, o Inter foi favorecido em mais jogos que o Corinthians. Mas todos, até mesmo o Juca, só lembram do Tinga. Do pênalti. Esquecem-se, nas últimas rodadas, do gol impedidaço do Inter contra o Brasiliense.
Esquecem-se da Libertadores de 2006, quando fomos deveras prejudicados no jogo de Buenos Aires (jogo em que lá estive).
Esquecem-se que, apesar do horroroso time de 2007, a arbitragem não ajudou. Pelo contrário, prejudicou. E foi para nem deixar dúvidas. Ou vocês acham que se aquele pênalti do Goiás, cobrado três vezes até que entrasse, pertencesse ao Corinthians, poderíamos, sequer, sair na rua?
Então. Mas o fato é que esquecem-se. E o Juca esquece. Logo o Juca.
E o Juca também esquece de ser tão rigoroso com as adiantadas do Ceni. Esquece de ser rigoroso com a arbitragem amiga do São Paulo desde 2005, um ano antes do clube da Vila Sonia conseguir apoio de uma “conhecida sociedade secreta”.
Também esquece, o Juca, de ser imparcial no caso do gás, lá no Palestra, para jogar algo no colo do Luxemburgo.
Quem viu o posicionamento do Juca no caso dos ingressos da Madonna, tratando, como todo o restante da mídia elitista desde 1910, o caso como uma petica entre Marco Polo Del Nero e seu vice (ressalte-se, conselheiro do clube da Vila Sonia (ou ex, tanto faz)) de Federação, reduzindo-o nada, não pode achar que Juca permanece imparcial.
Quais seriam os motivos?
Não sei.
Talvez necessidade de dissociação de seu corintianismo para que pareça mais imparcial e mais profissional. Algo como o Casagrande ou Neto no começo de carreira, quando o Corinthians era o alvo principal de críticas para que o ar de imparcialidade reinasse, apesar de evidente amor dos dois pelo clube.
Espero, no fundo, até que seja isso. Apesar de doloroso para a fiel corintiana, melhor isso. Porque outra motivação não seria lisongeira.
Mas enquando isto durar, Juca, seu blógui e qualquer outra criação sua não me chamarão a atenção.
Infelizmente.
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